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OS ATRIBUTOS DE DEUS

OS ATRIBUTOS DE DEUS

Um conhecimento salvador e espiritual de Deus é a maior de todas as necessidades de cada criatura humana. O fundamento de todo o conhecimento verdadeiro de Deus só pode ser a clara compreensão mental das Suas perfeições, segundo nos revelam as Escri

O Amor de Deus _ É soberano - 3ª parte

 

Isso também é evidente em Si mesmo. Deus é soberano, não deve obrigação a ninguém; Ele é a Sua própria lei e age sempre de acordo com a Sua vontade dominadora. Assim, pois, se Deus é soberano e é amor, deduz-se, necessariamente, que o Seu amor é soberano. Porque Deus é Deus, faz o que Lhe agrada; porque é amor, ama a quem Lhe apraz. Eis a Sua própria afirmação expressa: "... amei Jacó e aborreci Esaú" (Romanos 9:13)

Em Jacó não havia mais razão do que em Esaú para ser objecto do amor divino. Ambos tinham os mesmos pais e, eram gémeos, nasceram na mesma hora. Contudo, Deus amou um e aborreceu o outro. Porquê? Porque assim Lhe aprouve.

A soberania do amor de Deus infere-se necessariamente do facto de que, nada do que há na criatura O influencia. Portanto, afirmar que a causa do Seu amor está em Deus é outro modo de dizer que Ele ama a quem Lhe apraz. Suponha o oposto por um momento. Suponha que o amor de Deus fosse governado por outra coisa que não a Sua vontade. Nesse caso, Ele amaria seguindo alguma norma e, amando por algum motivo, Ele estaria subordinado a uma lei do amor e, então, longe de ser livre, Deus seria governado por uma lei.

"Em amor nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo" _ o quê?

_ Alguma virtude que previu neles? Não. O quê, então? _ "... segundo o beneplácito de sua vontade" (Efésios 1:4-5)

 

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O Amor de Deus _ É Eterno - 2ª parte

Necessariamente, Deus é eterno e Deus é amor; portanto, como Deus não teve princípio, o Seu amor também não teve. Mesmo entendendo que esse conceito transcende o alcance das nossas frágeis mentes, contudo, quando não podemos compreender, podemos inclinar-nos em adoração.

Como é claro o testemunho de Jeremias 31:3: "... com amor eterno te amei, também com amorável benignidade te atraí"!

Que bem-aventurança é saber que o grandioso e santo Deus amava o Seu povo antes do céu e a terra terem sido chamados à existência, que Ele pusera o Seu coração neles desde toda a eternidade! Esta é uma prova clara de que o Seu amor é espontâneo, pois Ele amou-os nas eras sem fim, antes de sequer existirem!

A mesma verdade preciosa é exposta em Efésios 1:4-5: "Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade; e nos predestinou..." (ou, na versão empregada pelo autor, "Havendo-nos predestinado em amor".

Isto deveria levar cada um dos Seus filhos a louvá-LO!

Que tranquilidade para o nosso coração é saber que, uma vez que o amor de Deus por nós não teve princípio, certamente não terá fim! Se é certo que "de eternidade a eternidade" Ele é Deus, e é "amor", então, é igualmente certo que, "de eternidade a eternidade", Ele ama o Seu povo.

 

O Amor de Deus _ É Imune à Influência Alheia - 1ª parte

As Escrituras dizem-nos três coisas a respeito da natureza de Deus.

 

  • Primeira, "Deus é espírito" (João 4:24).

No grego, não há artigo indefinido quando se refere a Deus. Dizer: "Deus é um espírito", é sumamente repreensível, pois coloca-O na mesma classificação de outros seres. Deus é "Espírito" no sentido mais elevado. Como é "Espírito", é incorpóreo, não tem substância visível. Se Deus tivesse um corpo tangível, não seria omnipresente, estaria limitado a um lugar; sendo "Espírito", enche os céus e a terra.

 

  • Segunda, "Deus é luz" (1 João 1:5)

Luz, é o oposto de trevas. Nas Escrituras, as "trevas" representam o pecado, o mal e a morte. A "luz" representa a santidade, a bondade e a vida. Quando João diz: "Deus é luz", significa que Ele é a soma de todas as excelências.

 

  • Terceira, "Deus é amor" (1 João 4:8).

Não quer dizer simplesmente que Deus ama, quer dizer que, Ele é amor na Sua essência. O amor não é apenas um dos Seus atributos, é a Sua própria natureza.

Hoje, muitos falam do amor de Deus, mas são completamente alheios ao Deus de amor. Eles consideram o amor divino como uma espécie de fraqueza amável, uma certa indulgência boazinha; reduzem o amor de Deus a um sentimento enfermiço, modelado nas emoções humanas.

Pois bem, a verdade é que, nisto, como em tudo mais, os nossos pensamentos precisam ser formulados e regulados por aquilo que é revelado nas Escrituras Sagradas. A urgente necessidade disto transparece, não só na ignorância que geralmente prevalece, mas também no baixo nível de espiritualidade actual, que, lamentavelmente, é evidente entre muitos cristãos professos.

Quão pouco amor genuíno a Deus existe!

Uma das principais razões disso, está no facto de, o nosso coração se ocupar pouco com o Seu maravilhoso amor pelo Seu povo. Quanto melhor conhecermos o Seu amor _ a Sua natureza, Sua plenitude, Sua bem-aventurança _ mais o nosso coração será impelido a amá-LO.

 

  1. O amor de Deus é imune à influência alheia.

 

 

Queremos dizer com isso que não há nada nos objectos do Seu amor (nós), que possa colocá-lo em acção, e, não há nada na criatura que possa atraí-lo ou impulsioná-lo. O amor que uma criatura tem por outra deve-se a algo que existe nelas; mas, o amor de Deus é gratuito, espontâneo, e não é causado por nada nem por ninguém. A única razão pela qual Deus ama alguém, acha-se na Sua vontade soberana:

 

"O Senhor não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vos éreis menos em número do que todos os povos: mas porque o Senhor vos amava" (Deuteronómio 7:7-8)

Deus amou o Seu povo desde a eternidade e, portanto, a criatura não tem nada que possa ser a causa daquilo que se acha em Deus desde a eternidade. O Seu amor provém d'Ele próprio: "... segundo o seu próprio propósito..." (2 Timóteo 1:9)

"Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro" (1 João 4:19)

 

Deus não nos amou porque nós O amávamos, Ele amou-nos antes de nós termos uma só partícula de amor por Ele. Se Deus nos tivesse amado em resposta ao nosso amor, então, o Seu amor não seria espontâneo; mas, visto que Ele nos amou quando nós não O amávamos, é claro que o Seu amor não foi influenciado. Para honrar a Deus, e firmar o nosso coração no Seu Filho, é importantíssimo que entendamos com absoluta clareza esta verdade preciosa.

_ O amor de Deus por mim, por todos e cada um dos que são "Seus", não foi movido nem motivado por nada em nós. O que é que havia em mim para atrair o coração de Deus? Absolutamente nada. Ao contrário, porém, havia tudo para O repelir, tudo para O levar a detestar-me _ sendo eu pecador, depravado, corrupto, sem "nenhum bem" em mim.

 

"O que existia em mim que merecesse estima

ou desse algum prazer ao Criador?

Fosse assim mesmo, ó Pai, eu sempre cantaria

por veres algo bom em mim, Senhor."

A Misericórdia de Deus _ 3ª parte

Continuação:

 

O facto, é que aqueles que negligenciam as leis da saúde, são tomados pela doença, apesar da misericórdia de Deus. É igualmente verdade, que os que negligenciam as leis da saúde espiritual sofrerão para sempre, a ''segunda morte". É indizivelmente grave ver tantos a abusar desta perfeição divina. Eles continuam a desprezar a autoridade de Deus, pisando as Suas leis; continuam em pecado, e, ainda se vangloriam, apoiados na Sua misericórdia. Mas, Deus não será injusto para Consigo mesmo. Deus mostra misericórdia para com o penitente sincero, mas não para com o impenitente

 

"Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis." (Lucas 13:3)

 

É diabólico continuar em pecado e, ainda assim, contar com a misericórdia de Deus para a proscrição do castigo. É como dizer: "Façamos males, para que venham bens". Dos que falam assim, está escrito: "... A condenação desses é justa" (Romanos 3:8). Com toda a certeza, essa presunção será frustrada. Leia cuidadosamente Deuteronómio 29:18-20:

 

"Para que entre vós não haja homem, nem mulher, nem família, nem tribo, cujo coração hoje se desvie do Senhor nosso Deus, para que vá servir aos deuses destas nações; para que entre vós não haja raiz que dê veneno e fel; e aconteça que, alguém, ouvindo as palavras desta maldição, se abençoe no seu coração, dizendo: Terei paz, ainda que ande conforme o parecer do meu coração; para acrescentar à sede a bebedeira. O Senhor não lhe quererá perdoar; mas fumegará a ira do Senhor e o seu zelo contra esse homem, e toda a maldição escrita neste livro pousará sobre ele; e o Senhor apagará o seu nome de debaixo do céu."

 

Cristo é a propiciação espiritual, e todos quantos desprezarem e rejeitarem o Seu senhorio, perecerão "... no caminho, quando em breve se inflamar a sua ira" (Salmo 2:12)

O nosso pensamento final, será sobre as misericórdias espirituais de Deus para com o Seu povo. "... a tua misericórdia é grande até aos céus..." (Salmo 57:10)

As riquezas da misericórdia transcendem os nossos pensamentos mais elevados. "Pois quanto o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem" (Salmo 103:11)

Ninguém pode medi-la. Os eleitos são designados "... vasos de misericórdia..." (Romanos 9:23)

Foi a misericórdia que "... os vivificou quando estavam mortos em pecado" (Efésios 2:4-5).

A misericórdia "... salvou-os" (Tito 3:5)

A Sua abundante misericórdia "... regenerou-os para uma herança eterna" (1 Pedro 1:3).

 

Faltar-nos-ia tempo para falar da misericórdia de Deus que preserva, sustenta, perdoa e supre os Seus.

Para eles Deus é o "... Pai das misericórdias..." (2 Coríntios 1:3)

Quando em elevação, a minha alma sonda as Tuas misericórdias, ó meu Deus, a visão me arrebata, e então me absorvo em encanto, em amor e em louvor.

 

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A Misericórdia de Deus _ 2ª parte

Não é a desgraça da criatura que O leva a mostrar misericórdia, pois Deus não é influenciado por coisas alheias a Si mesmo, como nós somos.

Se Deus fosse influenciado pela miséria abjecta dos pecadores leprosos, Ele limpá-los-ia e salvá-los-ia a todos. Mas, Ele não o faz. Porquê?

Simplesmente porque, não é do Seu agrado e do Seu propósito agir assim.

Não! Não são os méritos da criatura que O levam a conceder-lhes misericórdias, pois é uma contradição de termos falar em merecer "misericórdia". Sabemos que: "Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou..." (Tito 3:5)

Tampouco são os méritos de Cristo que movem Deus a conceder a Sua misericórdia aos Seus eleitos; isto seria tomar o efeito pela causa. É "através", ou por causa da misericórdia de Deus, que Cristo foi enviado ao mundo, ao Seu povo (Lucas 1:78).

Os méritos de Cristo tornaram possível a Deus conceder justamente misericórdias espirituais aos Seus eleitos, tendo a Sua justiça plenamente satisfeita pelo Fiador! A misericórdia provém unicamente da vontade soberana de Deus.

Ademais, conquanto seja verdade, bendita e gloriosa verdade, que a misericórdia de Deus "dura para sempre", devemos observar cuidadosamente os objectos a quem Deus mostra misericórdia. Até o lançamento dos reprovados no "lago de fogo", é um acto de misericórdia.

 

O castigo dos ímpios deve ser considerado de um ponto de vista tríplice:

_ Do lado de Deus, é um acto de justiça, exigindo a Sua honra. A misericórdia de Deus, nunca se mostra como detrimento da Sua santidade e justiça.

_ Do lado dos ímpios, é um acto de equidade, dado que, são postos a sofrer a merecida recompensa das suas iniquidades.

_ Mas, do ponto de vista dos remidos, o castigo dos ímpios é um acto de indescritível misericórdia.

Quão terrível seria se a presente ordem das coisas continuasse para sempre, quando os filhos de Deus são forçados a viver no meio dos filhos do diabo! O céu deixaria imediatamente de ser céu, se os ouvidos dos santos ainda ouvissem a linguagem blasfema e corrompida dos reprovados. Que misericórdia, o facto de que, na Nova Jerusalém não entrará " ... coisa alguma que contamine, e cometa abominação... " (Apocalipse 21:27)!

Para que o leitor não pense, que no último parágrafo acima, nos baseámos na nossa imaginação, apelemos às Escrituras Sagradas para apoiar o que foi dito. No Salmo 143:12, vemos David orando: "E por tua misericórdia desarraiga os meus inimigos, e destrói a todos os que angustiam a minha alma: pois sou teu servo". Ainda, no Salmo 136:15, lemos que Deus "derribou a Faraó com o seu exército no Mar Vermelho; porque a sua benignidade (ou misericórdia) dura para sempre". É verdade que este, foi um acto de castigo a Faraó e aos seus exércitos, mas, também , foi um acto de "misericórdia" para os israelitas.

 

Mais ainda, em Apocalipse 19:1-3, lemos: "... ouvi no céu como que uma grande voz de uma grande multidão, que dizia: Aleluia; Salvação, e glória, e honra, e poder pertencem ao Senhor nosso Deus; porque verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande prostituta, que havia corrompido a terra com a sua prostituição, e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos. E outra vez disseram: Aleluia. E o fumo dela sobe para todo o sempre".

Perante o que acabámos de ler, devemos notar como é vã a presunçosa esperança dos ímpios que, apesar do seu continuado desafio a Deus, mesmo assim, contam com uma atitude misericordiosa de Deus em favor deles. Quantos há que dizem: "não acredito que Deus me lançará no inferno; Ele é muito misericordioso."?

Essa esperança, é uma víbora que, se for acalentada no colo deles, os ferirá com uma picada mortal. Deus, é tanto Deus de justiça, como de misericórdia, e Ele declarou expressamente que "... ao culpado não tem por inocente..." (Êxodo 34:7)

Sim, Ele disse: "Os ímpios serão lançados no inferno e todas as gentes que se esquecem de Deus" (Salmo 9:17)

Os homens até podem argumentar: "_ se deixássemos acumular o lixo, se os esgotos ficassem estagnados, e as pessoas ficassem privadas de ar renovado, não acredito que um Deus misericordioso as deixaria cair presas de uma febre mortal."

 

Continua:

A Misericórdia de Deus _ 1ª parte

"Louvai ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua benignidade (ou misericórdia) dura para sempre" (Salmo 136-1)

 

Deus deve ser grandemente louvado por esta perfeição do Seu carácter. Por três vezes, em três versículos, o salmista convida os santos a louvarem ao Senhor por este atributo adorável. E, certamente, é o mínimo que se pode pedir a todos os que, tão copiosamente, foram beneficiados por ele.

Quando ponderamos nas características desta excelência divina, não podemos fazer nada, senão, bendizer a Deus por ela. A Sua misericórdia (ou benignidade), é "grande" (1 Reis 3-6- 1 Pedro 1:3), "abundante" (Salmo 86:5), "terna" (Lucas 1-78 - na versão utilizada pelo autor); "... de eternidade a eternidade sobre aqueles que o temem..." (Salmo 103:17).

Podemos dizer como o salmista: "... louvarei com alegria a tua misericórdia ..." (Salmo 59:16)

"... eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti e apregoarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem me compadecer" (Êxodo 33:19)

_ Em que é que a misericórdia de Deus difere da Sua "graça"?

A misericórdia de Deus, tem a sua origem na bondade divina. O primeiro fruto da bondade de Deus, é a Sua benignidade, ou generosidade, pela qual Ele dá liberalmente às Suas criaturas como criaturas; assim, deu Ele, o ser e a vida a todas as coisas.

O segundo fruto da bondade de Deus, é Sua misericórdia, que denota a pronta inclinação de Deus para aliviar a miséria das criaturas caídas. Assim, "misericórdia" pressupõe pecado.

Embora não seja fácil, à primeira consideração, perceber uma real diferença entre a graça e a misericórdia de Deus, podemos compreendê-la se ponderarmos cuidadosamente nos Seus procedimentos para com os anjos que não caíram. Ele nunca exerceu misericórdia para com eles, porque eles jamais tiveram qualquer necessidade dela, pois não pecaram, nem ficaram debaixo dos efeitos da maldição. Todavia, eles são objecto da livre e soberana graça de Deus.

 

  • Primeiro, porque Deus os elegeu do seio de toda a raça angélica (1 Timóteo 5:21),
  • Segundo, e como consequência da sua eleição, porque foram preservados da apostasia, quando Satanás se rebelou e arrastou consigo um terço das hostes celestiais (Apocalipse 12:4),
  • Terceiro, tornando Cristo a Cabeça deles (Colossenses 2:10; 1 Pedro 3:22), meio pelo qual eles permanecem eternamente seguros na santa condição em que foram criados.
  • Quarto, devido à exaltada posição que lhes foi atribuída: viver na presença imediata de Deus (Daniel 7:10), servi-Lo constantemente no Seu templo celestial, receber d'Ele honrosas missões (Hebreus 1:14).

 

Isso é graça abundante para com eles, mas não é "misericórdia".

Quando nos empenhamos em estudar a misericórdia de Deus, como está exposta nas Escrituras, é preciso fazer uma tríplice distinção, para que a Palavra da Verdade, seja "bem manejada" nesse ponto.

 

  • Primeiro, há uma misericórdia geral de Deus, que se estende, não somente a todos os homens, crentes e descrentes igualmente, mas também à criação inteira:

"...as suas misericórdias são sobre todas as suas obras" (Salmo 145:9);

"... Ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas" (Atos 17:25)

Deus, tem compaixão da criação animal nas suas necessidades, e supre-as com a provisão adequada.

 

  • Segundo, há uma misericórdia especial de Deus, exercida para com os filhos dos homens, ajudando-os e socorrendo-os, apesar dos seus pecados. Também a estes, Deus supre todas as necessidades da vida:

 

"... porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos" (Mateus 5:45)

 

  • Terceiro, há uma misericórdia soberana, reservada para os herdeiros da salvação, comunicada a estes por meio de uma aliança, através do Mediador.

Acompanhando um pouco mais a diferença entre o segundo e o terceiro pontos distintivos, acima expostos, é importante notar que, as misericórdias que Deus concede aos ímpios são exclusivamente de natureza temporal; quer dizer, limitam-se estritamente à vida presente. Não haverá misericórdia que se estenda a eles além-tumulo: "... este povo não é povo de entendimento- por isso aquele que o fez não se compadecera dele, e aquele que o formou não lhe mostrará nenhum favor" (Isaías 27:11)

Neste ponto, porém, pode oferecer-se uma dificuldade a alguns dos nossos leitores, a saber: não afirmam as Escrituras que a misericórdia de Deus, "...a sua benignidade dura para sempre"? (Salmo 136: 1 b).

É preciso assinalar duas coisas neste contexto:

Deus nunca deixa de ser misericordioso, pois isto constitui uma qualidade da essência divina (Salmo 116:5); mas, o exercício da Sua misericórdia e regulado pela Sua vontade soberana. Tem que ser assim, pois, não há fora d'Ele coisa nenhuma que O obrigue a agir; se houvesse, essa "coisa", seria suprema e Deus deixaria de ser Deus.

É somente a pura graça soberana que determina o exercício da misericórdia divina. Deus afirma expressamente este facto em Romanos 9:15:

"Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia."

 

Continua:

A Graça de Deus _ 3ª parte

"Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo" (João 1:17)

Isto, não significa que Deus nunca exercera a Sua graça em favor de alguém, antes de o Seu Filho Se encarnar, Génesis 6:8; Êxodo 33:19; etc.; mostram que a verdade é outra.

Mas, a graça e a verdade foram plenamente reveladas e perfeitamente exemplificadas, quando o Redentor veio a esta terra e morreu na cruz pelo Seu povo. É somente através de Cristo, o Mediador, que a graça de Deus flui para os Seus eleitos.

"Muito mais a graça de Deus e o dom pela graça, que é dum só homem (ou "por um homem"), Jesus Cristo... muito mais os que recebem a abundância da graça, e o dom da justiça, reinarão em vida por um só _ Jesus Cristo ... para que ... também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor" (Romanos 5:15, 17, 21)

 

A graça de Deus é proclamada no evangelho "Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus." (Atos 20:24), o qual, é para o judeu confiante na sua justiça própria, um "escândalo" (ou "pedra de tropeço"), e para o grego, presunçoso e filósofo, "loucura".

_ Porquê? Porque não há nada no evangelho que se preste para gratificar o orgulho do homem. Ele anuncia que, se não formos salvos pela graça, não seremos salvos de modo nenhum. Ele declara que, fora de Cristo - o Dom inefável da graça de Deus _ o estado de todos os homens é desesperador, irremediável, sem esperança. O evangelho trata os homens como criminosos culpados, condenados e mortos. Declara que o moralista mais puro está na mesma condição terrível em que se acha o libertino mais voluptuoso; que o religioso confesso e zeloso, com todas as suas práticas religiosas, não é melhor do que o mais profano infiel.

O evangelho considera todos os descendentes de Adão como pecadores caídos, corruptos, merecedores do inferno e miseráveis. A graça que o evangelho divulga é a sua única esperança. Todos permanecem diante de Deus como réus sentenciados, transgressores da Sua santa lei, como criminosos culpados e condenados, não à espera de alguma sentença, mas esperando a execução da sentença já passada sobre eles "Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigénito Filho de Deus." João 3:18

"Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus." Romanos 3:19

 

Queixar-se de parcialidade na graça é suicídio.

Se o pecador insiste em que se lhe faça a mais pura justiça, então, o "lago de fogo" terá que ser o seu quinhão eterno. A sua única esperança, está em render-se à sentença que a justiça divina lhe passou, apropriar-se da rectidão absoluta que a caracteriza, lançar-se à misericórdia de Deus, e estender mãos vazias para se servir da graça de Deus, que agora chegou a conhecer por meio do evangelho. A terceira pessoa da Deidade é o comunicador da graça pelo que é denominado "... o Espírito de graça... " (Zacarias 12-10)

Deus, o Pai, é a fonte de toda a graça, pois Ele, em Si mesmo, determinou a aliança eterna da redenção. Deus, o Filho, é o único canal da graça do Pai. O evangelho é o divulgador da graça. O Espírito é o doador. Ele aplica o evangelho com poder salvador à alma, vivificando os eleitos enquanto ainda estão mortos, dominando as suas vontades rebeldes, amolecendo os seus duros corações, abrindo-lhes os olhos da sua cegueira, limpando-os da lepra do pecado. Podemos dizer como G. S. Bishop:

 

"A graça de Deus, é uma provisão para homens que se acham tão decaídos que não podem erguer o machado da justiça, tão corruptos que não podem mudar as suas próprias naturezas, tão contrários a Deus que não podem voltar-se para Ele, tão cegos que não podem vê-Lo, tão surdos que não podem ouvi-Lo, e tão mortos que Ele mesmo precisa abrir os seus túmulos e levantá-los para a ressurreição".

 

A Graça de Deus - 2ª parte

A vida eterna é um dom e, portanto, não pode ser obtida pelas boas obras, nem reivindicada como um direito. Vendo que a salvação é um "dom", quem é que tem o direito de dizer a Deus a quem é que Ele o deve doar?

Não estamos a dizer que o Doador recuse este dom a qualquer um que o busque de todo o coração e de acordo com as regras que Ele prescreveu. NÃO!

Ele não o recusa a ninguém que O busca de mãos vazias e da maneira determinada por Ele. Mas, se num mundo impenitente e incrédulo, Deus resolveu exercer o Seu direito soberano ao escolher um número limitado de pessoas para serem salvas, quem sai prejudicado?

_ Estará Deus obrigado a impor o Seu dom aos que não lhe dão valor?

_ Estará Deus compelido a salvar os que estão determinados a seguir o seu próprio caminho?

Porém, não há nada que envaideça mais o homem natural e que mais contribua para trazer à tona a sua inata e inveterada inimizade contra Deus, do que insistir com ele sobre a eternidade, a gratuidade e a absoluta soberania da graça divina.

Dizer que Deus formou Seu propósito desde a eternidade, sem nenhuma consulta à criatura, é demasiadamente humilhante para o coração não quebrantado. Dizer que a graça não pode ser adquirida ou conquistada pelos esforços do homem, esvazia demais o ego dos que confiam na sua justiça própria. E, o facto de que a graça separa os que ela quer, para serem os objectos do Seu favor, provoca acalorados protestos dos rebeldes arrogantes. O barro levanta-se contra o Oleiro e pergunta: "_ Porque é que Tu me fizeste assim?"

Um rebelde, infractor da lei, atreve-se a questionar a justiça da soberania divina...

Vê-se a graça distintiva de Deus no acto de salvar aqueles que Ele separou soberanamente para serem os Seus eleitos. Ao usar a palavra "distintiva", queremos dizer que a graça discrimina, faz diferenças escolhe alguns e deixa outros de lado.

_ Foi a graça distintiva de Deus que separou Abraão dentre os seus vizinhos idólatras e fez dele "o amigo de Deus".

_ Foi a graça distintiva de Deus que salvou "publicanos e pecadores", mas disse acerca dos fariseus: "Deixai-os"

(Mateus 15:14)

Em parte nenhuma, a glória da livre e soberana graça de Deus brilha mais distintamente, do que na indignidade e diversidade daqueles que a recebem.

Esta verdade foi maravilhosamente ilustrada por James Hervey (1751):

 

"Onde o pecado abundou, diz a proclamação do tribunal do céu: superabundou a graça. Manassés foi um monstro cruel, pois fez passar os seus próprios filhos pelo fogo, e encheu Jerusalém de sangue inocente. Manassés foi perito em iniquidade, pois, não só multiplicou, chegando a extremos extravagantes, as suas impiedades sacrílegas, como também envenenou os princípios e perverteu os costumes dos seus súbditos, fazendo-os agir pior do que os pagãos idolatras mais detestáveis. Veja 2 Crónicas 33. Contudo, através desta graça super abundante, ele humilhou-se, mudou de vida, e tornou-se um filho do amor que perdoa e um herdeiro da glória imortal.

Vede Saulo, aquele perseguidor cruel e sanguinário, quando, respirando ameaças e disposto à matança, atormentava as ovelhas de Jesus e levava à morte os Seus discípulos. A devastação que causara e as famílias inofensivas que arruinara, não eram suficientes para mitigar o seu espírito vingativo. Eram apenas uma amostra para o paladar que, em vez de saciar a sede de sangue, o fez seguir mais de perto a presa e ansiar mais ardentemente pela sua destruição. Continuava sedento de violência e morte. Tão ávida e insaciável era a sua sede, que chegava a respirar ameaças e mortes (Atos 9:1). As suas palavras eram verdadeiras lanças e flechas, e a sua língua, uma espada afiada. Para ele, ameaçar os cristãos era tão natural como respirar. Nos propósitos do seu coração rancoroso, os crentes não paravam de sangrar. Só devido à sua falta de poder é que cada sílaba que proferia e cada sopro da sua respiração não espalhavam mais mortes nem faziam cair mais discípulos inocentes. Quem, segundo os princípios da justiça humana, não o teria pronunciado vaso da ira, destinado à inevitável condenação? E mais, quem é que não estaria pronto a concluir que, se houvesse cadeias mais pesadas e masmorra mais triste no mundo das torturas, certamente se reservariam para tão implacável inimigo da verdadeira religião? Entretanto, admirai e adorai os inexauríveis tesouros da graça _ este Saulo é admitido na santa comunhão dos profetas, é enumerado com o nobre exército de mártires e faz distinguida figura no glorioso colégio dos apóstolos.

Era proverbial a maldade dos coríntios. Alguns deles chafurdavam em tão abomináveis libertinagens, e estavam habituados a tão ultrajantes actos de injustiça, que eram uma infâmia até para a natureza humana. Contudo, até mesmo esses filhos da violência e escravos do sensualismo, foram lavados, santificados, justificados (1 Coríntios 6:9-11). "Lavados" no sangue precioso do Redentor que deu a Sua vida; "santificados" pelas poderosas operações do bendito Espírito; "justificados" através das misericórdias infinitamente ternas do Deus da graça. Os que outrora foram um aflitivo fardo para a terra, vieram a ser o júbilo do céu, o encanto dos anjos".

 

Agora, a graça de Deus manifesta-se no Senhor Jesus Cristo, por Ele e através d'Ele.

 

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A GRAÇA DE DEUS - 1ª Parte

Esta perfeição do carácter divino só é exercida em favor dos eleitos.

Nem no Velho Testamento, nem no Novo, jamais se menciona a graça de Deus em conexão com a humanidade em geral, e, muito menos, com as ordens inferiores das Suas criaturas. Nisto, a graça distingue-se da "misericórdia", pois a misericórdia é "... sobre todas as suas obras" (Salmo 145:9). A graça é a única fonte da qual fluem a boa vontade, o amor e a salvação de Deus para povo que Ele escolheu.

 

Este atributo do carácter divino foi definido por Abraham Booth no seu proveitoso livro, The Reign of Grace _ O Reino da Graça, assim:

 

"É o livre, absoluto e eterno favor de Deus, manifesto na concessão de bênçãos espirituais e eternas a culpados e indignos. A graça divina é o soberano e salvador favor de Deus exercido na dádiva de bênçãos a pessoas que não têm em si mérito nenhum, e pelas quais não se exige delas nenhuma compensação. Não é apenas isso, é ainda mais; é o favor de Deus demonstrado a pessoas que, não só não possuem merecimentos próprios, mas são totalmente merecedoras do inferno. É completamente imerecida, não é procurada de modo nenhum e não é atraída por nada que haja nos objectos aos quais é dada, por nada que deles provenha, e tampouco pelos próprios objectos.

A graça não pode ser comprada, nem merecida, nem obtida, nem conquistada pela criatura. Se pudesse, deixaria de ser graça. Quando dizemos que uma coisa é "de graça", queremos dizer que seu recebedor não tem direitos sobre ela, que de maneira nenhuma ela lhe era devida. Chega-lhe como pura caridade e, a princípio, não é solicitada nem desejada."

A mais completa exposição da maravilhosa graça de Deus acha-se nas epístolas do apóstolo Paulo.

Nos seus escritos "graça" está em directa oposição às obras e ao merecimento, todas as obras e todo o merecimento, de qualquer espécie ou grau. Vemos isto com muita clareza em Romanos 11:6, na versão utilizada pelo autor:

"E se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se é por obras, já não é pela graça; de outra maneira, as obras já não são obras".

 

É tão impossível unir a graça e as obras, como é impossível unir a água e o azeite. "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9)

O absoluto favor de Deus não pode harmonizar-se com o mérito humano, da mesma forma que o azeite e a água não podem fundir-se num só elemento.

"Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça." (Romanos 4:4-5).

 

São três as principais características da graça divina:

  • Primeira: é eterna.

 

A graça foi planeada antes de ser exercida, e fez parte do propósito divino antes de ser infundida:

"Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos" (2 Timóteo 1:9)

  • Segunda: é livre, ou gratuita, pois ninguém a pôde comprar jamais:

"Sendo justificados gratuitamente pela sua graça..." (Romanos 3:29)

  • Terceira: é soberana, porque Deus a exerce em favor daqueles a quem Lhe apraz, e a estes a concede:

"Para que... também a graça reinasse..." (Romanos 5:21)

Se a graça "reina", ocupa um trono, e o ocupante do trono é soberano. Daí o "... trono da graça..." (Hebreus 4:16)

Exactamente porque a graça é um favor imerecido, exerce-se necessariamente de maneira soberana.

Portanto, o Senhor declara: "Terei misericórdia" (ou graça) "...de quem eu tiver misericórdia,..." (Êxodo 33:19)

Se Deus mostrasse graça a todos os descendentes de Adão, os homens logo concluiriam que Ele, sendo justo, estava obrigado a levá-los para o céu como uma razoável compensação por ter deixado a raça humana cair em pecado. Mas, o grande Deus, não está sob nenhuma obrigação para com nenhuma das Suas criaturas, muito menos para com os que são rebeldes contra Ele.

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